JOAL - CIDADE SENEGALESA ONDE O EVANGELHO AINDA TEM FUTURO

        Estive em Joal, saímos, o Missionário Pastor Jailson e eu ainda de madrugada, passamos por Guédiawaye para buscarmos o Missionário da Terra, Yves Faye, e fomos rumo ao Sul.  Passamos por Rufisque, cidade fundada por portugueses à 25 quilômetros de Dakar, cujo nome dizem que deveria ser Rio Fresco, mas quando aqui chegaram os franceses, não conseguindo pronunciar corretamente, acabou se tornando Rufisque.

        Vários vilarejos foram ficando para trás. Cortamos a savana, entramos em estradas tão poeirentas que parecia mais um Rallye Paris/Dakar, fomos saudados por um bando de macacos que atravessavam barulhentos, nossa frente.

        Passamos Mbour, maior vilarejo do trajeto e chegamos três horas depois ao cabo de 120km de viagem chacolejante, a Joal.

        Joal é famosa por ser o berço do pai da pátria, Léopold (Sédar) Senghor (1906-2001), onde sua história e memória são guardadas no museu da cidade. Tendo direito a estátua de real tamanho, colocada sobre livros, posto que sendo de estatura pequena, tornou-se grande devido aos livros que lhe deram grande cultura.

        Ele foi escritor, poeta político e primeiro presidente do Senegal, compositor do Hino Nacional e o mentor da Independência do país.

        Conta-se que o nome Joal é composto das iniciais de Joana Alves, uma portuguesa por quem o fundador lusitano certamente morria de amores. Terra à beira mar, porto dos navegadores portugueses no século XV, seus habitantes são da etnia Serer, animistas de origem, foram influenciados pelo catolicismo, chegado a ser completamente católica, mas hoje perdeu lugar para o islamismo, ficando apenas com 20% dos habitantes. 

        Em Joal acaba de se instalar a Missionária Ivonete Maria dos Reis (de São José dos Campos) que esteve anteriormente em DaKar.  Seu esforço é muito grande e sem dúvida há de ser recompensado pelo Senhor.

        Ao chegarmos, fomos imediatamente à uma escola, que foi construída pelos espanhóis em cooperação com com a municipalidade local. Ivonete já tinha feito os primeiros contatos e o Yves estava indo com o objetivo de ensinar as crianças a escovar os dentes, fazer um teatro de fantoches junto com Ivonete e assim fazer a ligação da pregação do evangelho.

        O jovem diretor deste centro que é uma espécie de escola de educação infantil, nos recebeu de braços abertos.  Colocou tudo à nossa disposição, nos solicitou para fazermos trabalhos com as mães das crianças, às tardes quando o centro recebe as mulheres da cidade para cursos, palestras e outras atividades.

        São cerca de 120 crianças ao alcance dos nossos missionários.  Pastor Jailson, Missionária Ivonete e Missionário Yves pegaram com carinho e amor cada uma das crianças, entregaram um conjunto de escova, pasta de dente e toalha, ensinaram cada uma a escovar os dentes como deve ser. Sempre com um sorriso e muita alegria.

        Após o trabalho fomos à casa da missionária para o almoço que foi preparado e servido por uma senegalesa que ajuda a Ivonete.  Colher na mão, bacia cheia de arroz e peixe, molho especial e ótimo «repas» foi servido e saboreado avidamente por todos nós, pois o café da manhã tinha sido as cinco da madrugada.

        Ao retornarmos a casa do Pastor Jailson já era hora de partir para o seminário para minhas aulas que começavam às 18hs.

        Animado por um trabalho maravilhoso que nossos missionários realizam, participante de uma obra inigualável, louvei ao meu Senhor por ter me dado a visão e a vocação missionária, e por me proporcionar uma igreja que compartilha esse ideal. Pude dar minha aula com muito mais amor e entusiasmo.

        Obrigado Senhor, por tudo que o Senhor me possibilitou realizar aqui no Senegal.

 Pastor Paulo Roberto Sória

Pastoral de 18.abril.2004