UM SEMINÁRIO BATISTA NAS AREIAS DO SENEGAL


Tenho tido o prazer de cooperar um pouco com os batistas do Senegal. A Associação das igrejas Batistas do Senegal organizou um Seminário que conta com uns 40 alunos. São na maioria senegaleses, mas também há gente oriunda de paises de fala inglesa, como o Libéria, a Serra Leoa, e outros estados africanos.

O grupo de professores é pequeno. O diretor do Seminário, Pastor Pierre Celestin, precisando de ajuda solicitou ao Pr. Waldemiro Tymchac, quando aqui esteve no ano passado, a colaboração de um professor brasileiro que falasse francês, pensando em mim prometeu que veria possibilidade de minha vinda. Chegando ao Brasil ele me ligou sondando a possibilidade de eu vir para passar uns 20 dias ensinando uma matéria, entre as várias que eles precisam.

O Convite não incluía as despesas de passagens, só a hospedagem, que se dá na casa dos nossos missionários Pr.Jailson Serpa Pereira e Ana Cristina. Consultada a diretoria da Igreja, ela se dispôs me liberar no mês de março/03 para esta missão, que se complementaria com uma passagem por Lisboa, a convite da Terceira Igreja e por Paris, para os 25 anos da igreja de Versailles, organizada por nosso intermédio quando éramos missionários na França.

O trabalho esta sendo realizado com bastante interesse por parte dos seminaristas.Em aqui chegando descobri que entre os 16 alunos, matriculou-se um grupo de seis que não fala francês, assim sendo minhas aulas tiveram de ser traduzidas para o inglês, o que traz um desgaste maior e a utilização do dobro de tempo.

Estou dando aulas de ética cristã em um curso condensado de duas semanas, sendo quatro horas diárias, das 18h às 22h.. Um taxista vem me buscar todos os dias às 17h30 na casa dos missionários e às 22h15 na porta do seminário. O carro é relativamente conservado, o chofer não fala francês, só ulof, o que se torna uma dificuldade de comunicação.

Quando eu chego posso dizer-lhe no meu bom ulof “salamalekun” que a paz de Deus seja com você, quando saio, volto a dizer a mesma saudação acrescentando um “djirudiof” que significa muito obrigado. Grande diálogo esse meu.

Um dia desses o táxi atolou nas areias de uma rua que o motorista pegou para desviar do trânsito super congestionado, fiquei pensando e agora José, quem vai empurrar essa lata velha. Numa calma de beduíno, meu motorista dá ré, vai em frente, vira para a direita desvira para a esquerda, um carro passa soltando areia por todos os lados, buzinando como uma ambulância e meu chofer de táxi, tranqüilamente como quem entendendo do riscado, sai do lamaçal, ou melhor do areal seco.

Mas já vi muita gente na areia, até mesmo nas calçadas, ou melhor o que deveria ser o passeio, pois para sair dos congestionamentos, muitas vezes é necessário sair calçada à dentro, como fora do asfalto tudo é areia, pronto fica-se patinando.

 

Pastor Paulo Roberto Sória