AREIAS DO SENEGAL - CURIOSIDADES DE DAKAR

 

O pão aqui em Dakar é muito gostoso e bonito. Ele está mais saboroso que em Paris, pois desta vez achei que nosso pão francês brasileiro é muito melhor que o pão francês da França. Tenho achado o pão de Dakar muito bom. Aqui na casa dos missionários nossa irmã Ana Cristina coloca o pão no forno, logo que o compra e percebi que a razão principal, além de deixa-lo quente é para eliminar possíveis impurezas, pois o pão aqui é higiênicamente embrulhado, mas embrulhado em jornal. Pude perceber também que o jornal nem é o do dia, para se ler durante o café. Diferença que não faria nenhuma diferença do ponto de visto higiênico, mas pelo menos ficaríamos atualizados.

Outros missionários estiveram nos contando que nos quiosques de venda de produtos em seus bairros, onde compravam pão, compravam, pois não compram mais, perceberam que os ratos andam à solta. Uma missionária disse, no entanto, que outro dia o vendedor de pão estava colocando raticida, perto do pão. Certamente não haverá mais ratos por ali, nem mesmo compradores de pão.

O pão é transportado das padarias até os ponto de venda no porta malas dos carros, na caçamba da s carroças ou nos carrinhos de mão, sem nenhuma proteção. Pobre pão nosso de cada dia.

Come-se muito arroz. Arroz com peixe, “djebu gen”; arroz com carne, “djebu iap”; arroz com frango. Come-se muito peixe, o que é muito bom. O mercado de peixes é algo impressionante. Homens e mulheres comprando peixes e colocando-os em panelas e baldes, no porta malas, em sacolas etc.

Outra singularidade do Senegal é que não chove durante 9 meses do ano, só chovendo em julho, agosto e setembro. No entanto ha muitas flores, principalmente primaveras de cores lindas.

Viva-se com uma poeira dessas. A poeira misturada a fumaça preta dos carros (quase todos sem manutenção e sem regulagem) deixa o ar irrespirável. Graças a Deus o vento do mar impede que fiquemos sufocados.

Quando morre alguém, o corpo pode ser enterrado dentro de duas horas, caso seja um muçulmano, ou ficar duas ou três semanas até se ter o dinheiro para o enterro, ou toda a família vir ver o defunto.

Curiosidade maior são os táxis e taxistas. Peguei um táxi tão velho, amassado, enferrujado e sem condições de uso que fazia dó, ou dava raiva. A porta era amarrada com um fio elétrico, os cintos de segurança estavam quebrados, os vidros não subiam nem desciam; como não chove não são usados. O taxista parou numa favela e chamou alguém que veio com uma garrafa de gasolina, despejou no tanque e fomos embora, num sacolejar imenso devido à falta dos amortecedores. O motorista não pagou, disse que voltaria depois para pagar a gasolina, discutiu um pouco e lá fomos nós.

Como não tem seta, ele coloca a mão para fora e vira, muda de pista, entra na mão e na contramão sem problema, quem vem atrás ou no lado que se vire; o trânsito é caótico e todo mundo dá um jeitinho. As batidinhas são inúmeras, as discussões mais ainda.

Não há taxímetro, as corridas são todas negociadas na rua. O táxi pára você diz onde quer ir o motorista dá um preço inicial e você discute, negocia, regateia, faz sua contraproposta e acertado o preço vamos que vamos; só que enquanto isso, o trânsito complicado e fica muito mais confuso. O meio da rua serve para pegar ou largar passageiros sem cerimônia.

Caso o taxista, ou qualquer homem ou mulher tiver vontade de urinar é simples, é só agachar num canto qualquer e pronto. O motorista pára o carro, pega uma garrafa, vai agachar ao lado carro, se lava com água para se purificar, pois se não, não pode orar impuro e vamos embora. Coisas de Dakar e o seu mundo mulçumano diferente.

São poucas as ruas asfaltadas, só as principais. Quando se sai delas, seja nas vicinais ou fazendo um novo caminho no areal tem-se sempre que estar pronto para empurrar. É até cômico. Táxis, carros de passeio, caminhões e tudo que é veiculo atolado na areia.

 

 

Pastor Paulo Roberto Sória