A VIDA DOS MISSIONÁRIOS NAS AREIAS DO SENEGAL
O trabalho batista no Senegal tem marcas indeléveis gravadas para sempre nas areias quentes do continente africano. O país dos leões tem marca de pés santos que pisaram e pisam este solo arenoso. Hoje temos o Pastor Jailson Serpa Pereira e sua família, a irmã Veralucia Rocha e a irmã Ivonete, atualmente de férias no Brasil.
Trabalho árduo, difícil, sacrificial no entanto compensador. Assim é o trabalho dos missionários evangélicos que pisaram as areias quentes do semi-árido da costa oeste africana.
Os Batistas americanos deram, no passado, uma contribuição importante. Hoje temos muitos brasileiros representantes de diversas missões trabalhando aqui. Mas foram os Batistas brasileiros que deixaram o sangue nas areias deste complicado e grande país.
No Natal de 1997, no final da tarde do dia 25, uma alegre viagem de 5 adultos e duas crianças se torna em um trágico acidente que ceifa a vida de três missionárias, fere gravemente uma outra e deixa duas crianças feridas e órfãs de mãe, e um jovem missionário viúvo.
Retornando de uma viagem de trabalho no Norte do país, próximo à Mauritânia, perto da antiga capital do Senegal, Saint Louis, tomado no meio de uma tempestade de areia, o possante veículo cabine dupla do médico e missionário, Adoniram Pires, capota, dando várias piruetas e deixando um saldo triste de morte, dor, saudades e ossos e costelas fraturadas.
Morrem a Chilena Lu, missionária em parceria entre a Convenção Batista Chilena e a JMM; Janice, missionária da UEC, que agoniza duas horas antes de partir e Raquel, nossa missionária, esposa do Dr. Adoniram, mãe de Esther e Heber. Ficam feridas as crianças o pai e a missionária Veralucia.
O sangue dos ferido se misturava às areias quentes do deserto. A força do vento da tempestade trazia, em rajadas, os grãos de areia que formavam, na pele dos feridos, uma crosta de plasma endurecida e negra como a noite que se aproximava.
A demora do socorro, o hospital distante do local do acidente, no qual faltava de analgésico, para aliviar a dor, a gesso, para imobilizar os membros fraturados, complicavam ainda mais o quadro já bastante difícil dos acidentados.
Só o Senhor Deus para dar o consolo, proporcionar o conforto e amenizar o sofrimento de tão grande tragédia. A JMM não mediu esforços para ajudar os envolvidos. As igrejas oraram e choraram, mas o Senhor que tudo sabe, ajudou e continua a ajudar e abençoar cada familiares dos envolvidos nesta calamidade.
Pela força do Senhor os sobreviventes após amargarem lutas e dor, voltaram ao trabalho missionário. Pastor Adoniram transferiu-se para a Espanha onde está até hoje. Vera Lucia, depois de muitas operações, placas e parafusos, volta ao Senegal, onde continua a realizar extraordinário trabalho, agora apoiado pelo dedicado casal Pastor Jailson e irmã Ana Cristina, que vieram ha três anos atrás.
Veralucia é enfermeira e trabalha na igreja de Guédiawaye, pastoreada pelo missionário Jailson. Além da evangelização e de atividades na igreja, ela cuida do ministério de nutrição, orientação e acompanhamento de mães de bebês. Ela domina o francês e a língua africana dos Ulofs, que é a mais falada no Senegal, conversa, canta, ensina e faz as mulheres senegalesas conhecerem o verdadeiro amor de Cristo.
Duas vezes por semana ela atende com carinho e denodo dezenas de crianças, dando-lhes alimento, verificando o peso, aconselhando às mães, dando às crianças leite enriquecido com açúcar e óleo de amendoim e encaminhando a médicos e hospitais os que carecem de tratamento. Ela tem como ajudantes um casal da igreja, Gilberto e Luiza, que são da Guiné Bissau, país de fala portuguesa, que faz divisa ao sul com o Senegal.
Gilberto é homem simples, um gigante de 1m95 e 125k, que veio ganhar a vida, há 23 anos no Senegal, e que atualmente ajuda a igreja como guardião. Ele fala seis idiomas, francês, português, ulof, crioulo, fulá e socê. São coisas da África. Luiza é a auxiliar da enfermeira e que ajuda em varias coisas na igreja.
Vera, como ela mesma diz, se tornou a única missionária biônica da JMM, devido suas próteses metálicas pelo corpo. Ela é incansável e de uma dedicação extremada. Conhece todo mundo, ri bonito e transmite simpatia e alegria por onde passa. Ela atende ao telefone dizendo no lugar do tradicional alô: “Jesus ama você.”
Assim é a vida, e a morte, dos missionários nas areias do Senegal.
Pastor Paulo Roberto Sória