O CRENTE COMO FATOR DE COMUNHÃO CRISTÃ
I Coríntios 11.17-34; 12.1-31; 13.1-13
O terceiro milênio começa com uma marca indelével de individualismo de
competição entre as pessoas, isto faz com que o homem se sinta cada vez mais
só, isolado e egoísta. Os jogos esportivos e de lazer, mesmo os que são
coletivos como o futebol, tendem ao individualismo, fazendo despontar os
destaques pessoais que têm um tratamento diferenciado.
As competições desportivas passam pela valoração somente do melhor, do
primeiro, do campeão e do está vencendo, não há mais a gloria do passado ou
o acumulado de pontos. O que fica em segundo lugar não tem valor, o
vice-campeão é um perdedor. Só vale a medalha de ouro.
O cristão, no entanto, e capacitado pelo Espírito Santo de Deus para viver uma
vida de plena comunhão. A igreja de Jesus, sendo seu corpo, une uns aos outros
fazendo com que todos tenham a mesma importância, o mesmo valor e sejam todos
vencedores, tenham os mesmos direitos e merecedores do mesmo prêmio: a
Salvação.
CULTO PÚBLICO É EXPRESSÃO DE LOUVOR E COMUNHÃO COM DEUS
Eclesiastes 5:1 - "Guarda o teu pé, quando fores à casa de
Deus".
O CULTO a Deus é culto dentro dos ensinos da Bíblia, isto é, ele deve
ater-se aos ensinos normativos do Antigo e do Novo Testamento. Não como inovar
introduzindo peças inadequadas e inusitadas como sendo expressão de culto,
pois quem determina a forma e o conteúdo é o Senhor Deus.
Alguns elementos básicos devem fazer parte do culto, tais como: ADORAÇÃO,
LOUVOR, GRATIDÃO, ORAÇÃO, CONFISSÃO DO PECADO, APRESENTAÇÃO DA OFERTA E DO
DÍZIMO, REVELAÇÃO DA PALAVRA E MENSAGEM PROFÉTICA.
Em todos os cultos deve haver ordem e reverência, sendo também indispensável
à participação com o desejo de estar na presença de Deus, Criador e
Sustentador do Universo. Para se alcançar esses objetivos o culto precisa ser
prestado com compreensão e fé.
O culto deve ser:
1. RACIONAL: Romanos 12:1
- Com a razão, com consciência do que se está fazendo. Com compreensão do ato espiritual, sem mística e sem intermediários. Nossa participação é voluntária e levada pelo nosso próprio desejo de celebrar o nome de Deus. Não pode haver a pressão do desconhecido e do estranho. Não é por medo nem devido a costumes e tradições que se presta culto a Deus. Nosso culto é racional e inteligível, prestado numa linguagem que nos faça ter comunhão com o Senhor Deus a quem conhecemos, louvamos, amamos e queremos servir.
2. SOLENE: Salmo 92:1-4
- Nossa atitude deve ser revestida de solenidade diante de Deus, isso não significa uma austeridade no seu sentido de rigidez, nem tão pouco de severidade, mas de caráter firme e seguro. Com música solene, e sacra, não servindo músicas não consagradas ao Culto ou qualquer tipo de ritmo nem ainda letras que não tenham inspiração bíblica. Só serve letra e musica que solenemente louvam o Senhor.
3. REVERENTE: Eclesiastes 5:1 ; Êxodo 3:5
- O culto precisa ser dentro de padrões de reverência. Não se cultua de qualquer modo, com qualquer traje, ou na informalidade de quem está com colegas ou companheiros. A presença de Deus no culto exige um comportamento de respeito e dignidade. Quando nos apresentamos diante dos homens que temos por importantes nós nos preocupamos com nossa aparência e com nosso comportamento. Deus é nosso Senhor, Ele é muito mais importante que qualquer ser humano e infinitamente merecedor de toda nossa reverência. Deus é Deus.
4. SINCERO: Filipenses 1:9-11, 2:15
- O culto é ato de amor que chega a excelência do convívio e à plena comunhão com Deus, portanto só pode se prestado em sinceridade de coração. Estamos no meio de uma geração corrupta que invade a igreja com suas posições de ideológicas e suas concepções mercadológicas. Precisamos resistir, em amor, às pressões e às investidas do mundo. Precisamos resplandecer como luminares num mundo em trevas.
5. ALEGRE: Salmo 122.1
- Na presença do Senhor há sempre muita
alegria. Nosso Deus é o Deus que dá a felicidade a todos os homens que buscam
nele a vida eterna. A alegria do culto é em virtude do encontro do grande
tesouro que Jesus relata em suas parábolas. A felicidade do encontro do Reino
de Deus.
A igreja de Jesus tem e sempre terá o desejo de prestar um culto solene ao
nosso Deus. Não podemos permitir nem tolerar a irreverência, o desrespeito e a
inconseqüência nos atos de culto.
Nosso desejo deve ser que crianças, adolescentes, jovens, adultos e anciãos
encontrem sempre um ambiente agradável de oração, meditação, louvor,
revelação e contrição nos cultos e atividades da igreja promovendo a
comunhão mais agradável diante do Salvador.
Não queríamos mudar a forma de culto, nem tampouco que o culto se torne
enfadonho e triste, mas sim um ambiente aonde todos venham viver a comunhão com
o Senhor. Participe do culto com a convicção que Deus está presente, e
humilde e reverentemente ouça a voz de Deus.
A MESA DO SENHOR - EXEMPLO DE PERFEITA COMUNHÃO
O ensino sobre a Ceia Memorial de Jesus Cristo é a prova mais cabal da
perfeita comunhão na igreja. Todos os filhos de Deus podem dela participar;
todos os que são de Jesus, com seus corações purificados e perdoados, os que
confessam que não há outro Senhor a não ser Cristo, os que aceitam Jesus como
o único Salvador, não havendo outro que possa levar o pecador a Deus o Pai.
Essa comunhão é a comunhão com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo de
Deus. No Velho Testamento encontramos a festa da Páscoa como sendo o
sacrifício de um cordeiro que significava a passagem do Senhor sobre as casas
dos hebreus, não era a passagem, mas era o seu significado. Na Ceia o vinho
não é o sangue de Jesus, mas representa o seu sangue, assim como também o
pão não é o seu corpo, mas representa seu corpo.
A Ceia Memorial é um símbolo que nos exorta e nos faz lembrar que Jesus
Cristo, o Filho Unigênito do Pai, nos libertou do poder do pecado, do império
do inferno e da morte eterna, pelo sacrifício na cruz do Calvário. Sua vida e
morte sem pecado, o sacrifício do derramamento de seu sangue puro e inocente
nos introduz triunfalmente no Reino de Deus.
O cristão é capacitado para o exercício da comunhão com Deus através da
ressurreição de Jesus dentre os mortos. Nossa fé é o passaporte para a
eternidade e a Graça de Cristo é o visto que nos autoriza nele entrar. Vivemos
em comunhão não por causa de nossos méritos, mas devido ao sangue de Jesus
derramado na cruz.
A Ceia nos faz viver a íntima comunhão com os demais membros do Corpo de
Cristo que é a igreja. Essa comunhão deve, no entanto, tomar também outras
formas e uma dimensão que vá alem de uma celebração, que se torne para a
vida na dependência de Deus e na realidade da igreja local.
O CRISTÃO É CAPACITADO PARA UMA VIDA DE COMUNHÃO
TRADUZIDA
EM
ATOS DE AMOR
(Mateus 25.31-46; Isaías 58.7-8)
O fator determinante de comunhão do crente em Jesus Cristo é a unção de
amor derramada pelo Senhor. Os discípulos de Jesus devem viver uma vida de
comunhão, santificação e de amor. A fé autêntica leva os cristãos a terem
comunhão uns com os outros. A verdadeira fé evangélica não fica adormecida,
ela se envolve de elementos dinâmicos e se manifesta através de atos de amor.
A fé é traduzida pelo amor que dá bons frutos e que tem um fim proveitoso.
Assim a comunhão leva o crente a servir ao seu próximo com obras de justiça;
vestindo os que estão nus; alimentando os que estão com fome; e vai cumprindo
sua missão de consolar os que choram; de dar refúgio ao desabrigado; de cuidar
dos ferimentos dos que são vítimas dos assaltos e da violência da vida.
Esse grande amor só tem os que são nascidos de novo, nascidos de Deus e
receberam os dons do Espírito do Senhor. "Os dons são diversos, mas o
Espírito é o mesmo" (I Coríntios 12.4).
A diversidade de dons faz com que a comunhão do cristão tenha a visão da
dependência de Deus, no verso seis do mesmo capítulo lemos: "Há
diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em
todos". Assim nenhum cristão se sente mais importante que outro, nem
tampouco credor do outro por ter feito alguma coisa, Deus é quem dá.
Nem sempre a comunhão passa pelo compartilhar e dividir alguma coisa como
dinheiro e bens, mas principalmente seguindo o ensino e exemplo de Jesus. Mostrando misericórdia e compaixão sempre que possível e necessário.
Comunhão é compartilhar o pão, o teto, a paz e o amor. Na igreja primitiva
não havia ninguém que viesse a mendigar, posto que os crentes supriam a carência
uns dos outros. Eles também acolhiam os que estivessem em perigo, os estrangeiros,
os aflitos e a todos os necessitados.
O CRISTÃO É CAPACITADO PARA VIVER A COMUNHÃO NO CASAMENTO
O casamento é uma das formas mais completas de comunhão entre um homem e
uma mulher. A lei faz distinção entre comunhão universal de bens, comunhão
parcial de bens e separação de bens no casamento. O legislador tenta com essas
nuances da comunhão entre marido e mulher, mitigar o problema das partilhas em
caso de separação e divórcio. Mas o cristão ao casar-se não deve estar
preocupado com o divórcio, mas com a união.
O crente é capacitado para o casamento e para viver uma vida de comunhão, no
plano físico, emocional e material. A comunhão no casamento é o compartilhar
de todos os momentos entre marido e mulher e quando os filhos vierem também de
exercer o papel de pai e de mãe, em completa comunhão.
No lar, os componentes da família conseguem experimentar a dimensão de
comunhão em várias formas. É no convívio entre os pais e filhos, como entre
irmãos que podemos ver o quanto vale seremos capazes de explorar a
capacitação dada por Deus, para exercitarmos a comunhão.
Aprendemos no lar a valorizar os componentes do grupo familiar, a respeitar as
opiniões pessoais, assim como os limites e as afinidades de cada pessoa. Somos
capazes também de descobrir responsabilidades e assumir deveres sendo que tudo
isso o fazemos num clima de amor e companheirismo, levados pelo desejo de
harmonia e de paz.
Cada membro da família é responsável pela comunhão entre os familiares assim
como na sociedade, igreja e individualmente diante de Deus, deve exercitar e
ansiosamente procurar a mais perfeita comunhão possível, pois fomos
capacitados para tanto.
Pastor Paulo Roberto Sória